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O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras – bell hooks

O livro é dividido em 19 capítulos que vão falar sobre a definição de feminismo, a criação do movimento feminista e suas vertentes, assim como os recortes que precisam ser feitos para levar em conta as experiências das mulheres negras dentro do movimento feminista, que por uma questão de raça, são afetadas pelo machismo de uma forma diferente, fala sobre a importância da sororidade, discute sobre direitos reprodutivos, pressão estética, maternagem e paternagem, e sexualidade de mulheres que não se encaixam dentro da heterossexualidade.

Gosto de como a bell hooks fala que é preciso fazer com que os conceitos e definições sobre feminismo têm que chegar nas pessoas que não estão dentro do movimento e para isso é preciso estar em todos os meios de comunicação, seja por livro, folheto, audiolivro, rádio, televisão, etc., e que isso tem que ser feito por meio uma linguagem acessível, o que de fato é percebido neste livro porque ela usa uma linguagem simples e descomplicada, que qualquer pessoa pode entender. A autora vai desmistificar a ideia errônea de que ser feminista é ser anti-homem, é não gostar de homem, imagem muito reforçada pela mídia de massa patriarcal, que passa uma ideia de feminismo como apenas mulheres que reivindicam igualdade de gênero.

De acordo com bell Hooks, tem-se uma ideia errada sobre o que é de fato o feminismo e ela entrega uma definição: “Feminismo é um movimento para acabar com o sexismo, exploração sexista e opressão.” Essa definição deixa claro que o problema é o sexismo. Ou seja, entender o que é feminismo passa necessariamente por entender o que é sexismo, toda opressão e discriminação baseada no sexo ou no gênero da pessoa, e como a sociedade, desde sempre foi governada por homens, significa dizer quer é toda discriminação que os homens fazem contra as mulheres, mas bell hooks também pontua que as mulheres também reproduzem o sexismos e são sexistas, uma vez que elas estão imersas nessa sociedade que é sexista. Para mudar isso é preciso, primeiro, ter consciência.

Foto: Monica Almeida/The New York Times

É importante notar também que bell hooks sempre pontua o quanto as mulheres brancas, dentro do movimento feminista, têm mais privilégios do que as mulheres negras. As mulheres brancas também precisavam rever suas atitudes e pensamentos sexistas, estarem dispostas a se conscientizarem para mudar, porque só dessa forma a sororidade poderia ser poderosa, mas entendendo que a sororidade só é possível a partir do momento que se entende as dominações que algumas mulheres podem ter sobre outras com base em sexo, raça e classe. Desse modo, a solidariedade política e a sororidade entre as mulheres foi muito importante para fortalecer os laços entre elas, para se fortalecerem enquanto grupo. Tudo isso só foi possível porque mulheres estavam dispostas a não usar seus privilégios de raça e classe para dominar outras, de modo que a sororidade é entendida como um importante passo para acabar com o sexismo interno das mulheres.

bell hooks pontua qual que era a posição das mulheres negras nesse movimento, elas sempre estiveram presentes desde o início, mas nunca em posição de destaque como as mulheres brancas, isso porque as mulheres negras compreendiam seu local de pessoa que era atravessada por diversas opressões e que essas opressões se interseccionam dentro de um sistema de patriarcado capitalista de supremacia branca.

bell hooks chama atenção para o fato de que não é necessariamente porque uma mulher é mulher que ela vai ser automaticamente feminista. Ser feminista passa, primeiro, por um processo de conscientização das opressões e limitações impostas pelo patriarcado, para então escolher ser feminista e agir dentro dessa escolha para atuar em prol de mudanças concretas. E não se nasce feminista principalmente porque as mulheres foram socializadas para serem sexistas, assim como os homens. Então por isso ela afirma que antes que as mulheres queiram mudar o patriarcado, é preciso mudar a si mesma, se desconstruir e partir disso, entendendo o patriarcado como um sistema de dominação, pensar em estratégias de intervenção e transformação.

A autora também afirma que uma conscientização feminista para os homens também é importante porque eles precisam entender o que é sexismo e a dominação masculina, para que eles possam se desconstruir e ser aliados na luta. Assim, hooks fala sobre masculinidades feministas. O que faz sentido, porque por mais que as mulheres lutem por mudanças, se os homens não mudarem, o patriarcado sempre vai existir.

Falar sobre questões referentes ao corpo feminino, sobre como a descoberta de métodos conceptivos foi importante para uma prática de amor livre e relações livres sem o medo do castigo depois. Esse castigo poderia vir por meio de uma gravidez indesejada que poderia por em risco a vida da mulher que recorresse ao aborto. E o quanto esse aborto era ilegal porque se pensava que ele seria um fim sempre, mas pensar em aborto deveria ser sinônimo de pensar direitos reprodutivos, o aborto seria então o último estágio desse processo. E o quanto isso afetava ais mulheres pobres, que não tinham condições de pagar. Era preciso pensar educação sexual básica, antes de se chegar em aborto.

Acho que algo que ficou muito gravado em mim deste livro é o que bell hooks fala sobre maternagem e paternagem femistas, sobre a importância de criar crianças sem sexismo e não descontar a raiva nelas, que são seres em construção e não podem se defender de tais violências. Quando a gente discute feminismo sempre pensa em homens e mulheres adultos e não reflete tanto sobre como o machismo e o sexismo afetam as crianças também. Algo que eu acho muito importante é que a autora aponta a literatura infantil feminista como um local de atuação, porque as crianças estão em processo de formação, então quanto mais cedo elas tiverem em contato com uma educação feminista, melhor.

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