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Tomi Adeyemi decepciona com “Filhos de virtude e vingança”

Tomi Adeyemi ficou conhecida pela publicação do livro Filhos de Sangue e Osso, primeiro livro da trilogia O legado de Orisha, que conta a história de Zélie, uma maji que se empenha e luta pela libertação da magia para seu povo e consequente libertação das garras opressoras da monarquia.

Neste primeiro livro a narrativa é muito envolvente, apresenta elementos da ancestralidade e espiritualidade negra, personagens femininas que amadurecem e crescem muito ao longo da narrativa, é bonito ver o quanto a história é uma metáfora para contar a história real do povo negro por meio de um mundo de fantasia. Então o segundo livro, Filhos de Virtude e Vingança, tinha tudo para ser tão bom quanto o primeiro, mas se mostra decepcionante em muitos aspectos.

No segundo livro parece que há um retrocesso em tudo o que o primeiro significou e trouxe de inovador. A luta por magia se concretiza, mas quando ela volta não há uma distinção sobre quem deveria receber e quem não, de modo que acaba causando uma grande confusão em que lê para entender o novo cenário. Além da magia para (quase) todos sem distinção, há muitas pontas soltas na narrativa e mistérios que brincam com a imaginação de quem lê.

Parece que os personagens regridem para a imaturidade que tinham no início da trilogia, porque tomam decisões imaturas, porque são mais individualistas e pensam menos no coletivo e porque a ancestralidade tão bem fundamentada no primeiro volume, parece que não serve mais de base para as ações dos que outrora foram os oprimidos. Além disso, as mortes em decorrência da guerra e lutas não são honradas, parece que os personagens morrem sem ter uma finalidade maior a não ser chocar quem está lendo. Também é um problema o livro ser ancorado em sangue e guerra a todo momento, fazendo com que as ações e a própria narrativa fique repetitiva, de modo que se tivesse metade do tamanho que tem, não seria um problema.

É uma pena que a autora decepcione logo no segundo volume de uma trilogia que tinha tudo para ser aclamada pelo público, mas de qualquer forma, espera-se que o terceiro livro conserte os erros do antecessor e dê um final digno para essa história.

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1 Comentário

  • Responder
    Carla Teixeira
    25 dezembro, 2021 em 20:12

    Discordo totalmente da análise, pois ela é muito superficial. O segundo livro não é um antagonismo entre quem deve e quem não deve ter magia, mas sim entre uma monarquia que quer manter o controle da sociedade, e um grupo de revolucionários que querem acabar com a opressão e essa divisão de classes. Acho que o papel dos titâs é balancear o poder dos maji, pra mostrar que mesmo que os maji tenham a conexão divina e possam usar seus poderes pra acabar com a monarquia, os titâs também são muito poderosos e não vão abrir mão de seu reinado sem serem aniquilados.

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