O dia em que conheci o Milton Hatoum

Um dos motivos de eu amar São Paulo e nunca querer me mudar daqui, apesar de estar temporariamente morando fora da capital, é que São Paulo é um verdadeiro berço cultural. Em março de 2014 foi lançado pela Secretaria de Cultura o Circuito São Paulo de Cultura, visando democratizar o acesso a cultura, promovendo diversas atrações de música, dança, teatro e literatura, não só em áreas centrais mas também em áreas periféricas. Esse ano de 2015, o Circuito começou em março e vai até julho.

E foi graças a isso que eu tive a oportunidade de conhecer o autor Milton Hatoum. No dia 14/04 ele esteve na Biblioteca Helena Silveira, que fica localizada no Campo Limpo, bairro da zona sul de São Paulo.

Em 2014 havia lido seu livro “Dois Irmãos” e gostado tanto que até cheguei a dar de presente para um amigo. Quis ler todos os outros livros dele, mas me faltou oportunidade. Quando soube desse evento, não pensei na distância que era de onde moro para lá, só pensei no quanto seria bacana conhecer pessoalmente o escritor que escreveu um dos livros que mais gostei.

Foi bem intimista. Um bate-papo sobre os livros dele, sobre seus planos e houve uma sessão de perguntas. Eu, tímida que sou, consegui fazer minha pergunta e aproveitei para tietar um pouquinho, dizendo o quanto eu o admirava e que tinha ido de bem longe só para conhecê-lo. Ele agradeceu o carinho e no final, me deu um de seus livros, “Cinzas do Norte”, como “prêmio” por ter ido de tão longe. Meu prêmio maior foi ter tido a oportunidade de conhecê-lo e poder ver de perto como ele é simpático. A simpatia não foi a única qualidade que ele deixou transparecer, é também uma pessoa crítica no que se refere ao nosso cenário político atual, expressou sua opinião sobre a situação da educação pública e além de bom escritor é bom leitor. Citou nomes como Flaubert e nos indicou a leitura de “Grande Sertão-Veredas”.

Especialmente para este evento, ele fez uma pequena coletânea com sete de suas crônicas.

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Coletânea de crônicas selecionadas pelo autor

O livro que ganhei

[Imagens 1,2 e 3: Facebook Biblioteca Helena Silveira]

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Maria Ferreira

Maria Ferreira é uma mulher negra baiana. É criadora do Clube Impressões, o clube de leitura de livros de ficção do Impressões de Maria, e co-criadora e curadora do Clube Leituras Decoloniais, voltado para a leitura e compartilhamento de reflexões sobre decolonialidade. Também escreve poemas e tem um conto publicado no livro “Vozes Negras” (2019). É formada em Letras-Espanhol pela Universidade Federal de São Paulo. Seus principais interesses estão relacionados com temas que envolvem literatura, feminismo negro e decolonial e discussões sobre raça e gênero. Enxerga a literatura como uma ferramenta essencial para transformar o mundo. 

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